sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

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Quantas palavras cabem em um último suspiro? Infinitas e muito poucas. Essas máximas banalizadas pelo uso readquirem todo o sentido quando nada mais nos resta. Eu sei, não posso exigir compreensão nesse ponto. Se você estivesse na mesma condição que eu, não poderia respirar o meu suspiro.
Pela última vez, queria um uísque, o cheiro de uma boceta, um sorriso sincero. Se é verdade que podemos tudo na morte, é também verdade que nunca pudemos tão pouco. Nós não podemos mais nada, pela primeira vez.
Ouço sirenes. Paramédicos conversam. Até vejo luzes: resquícios de um mundo ao qual não mais pertenço. Sei que tudo isso vai ficar (ou já ficou) para trás. E, ao contrário do que se possa pensar, não dói. Sinto um formigamento confortável.
Tenho vontade de dizer ao homem que me massageia para interromper essa merda toda, você está me atrapalhando com algo que não vai adiantar mesmo. Ele podia me trazer um uísque para a gente rir um pouco a vida. Mas aí me dou conta de que o homem apenas desempenha o seu papel. E, nisso, estamos quites. Nada mais justo, portanto, que ele tente com todas as forças me ressuscitar. Coitado, tão impotente. Resta chorar a morte. Estamos quites.
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P.S.: Do avesso já está no forno. O lançamento ficou para 2011. Em breve, darei mais notícias.

3 comentários:

Márcia disse...

Grande cena! Estas frases me gelaram o estômago: "Quantas palavras cabem em um último suspiro?" e "Nós não podemos mais nada, pela primeira vez." Um forte abraço.

Heloisa Emy disse...

Hum...gostinho de quero mais, rs... cade seu livro????

Beijo

Renato Tardivo disse...

ficou pronto no finzinho do ano heloisa. eu só vi dias atrás. ainda estamos conversando sobre data e local do lançamento, mas não deve demorarar... bjs.